Do cacau ao chocolate – um processo com mais de 3000 anos

O tempo passa depressa, ou talvez não. Mais de 1000 anos antes de Cristo, os Olmecas partem das margens do golfo do México a fim de explorarem e fazerem comercio ao longo da América Central. Alcançaram as fronteiras do que é hoje a Colômbia e a Venezuela, muito provavelmente na região onde se situa o lago Maracaibo.

Nesta região fazem a descoberta da espécie de cacau conhecida actualmente por Criollo e certamente apreciaram a sua polpa. Trazem com eles pequenas plantas jovens e excertos, no regresso ao seu país de origem, e começam a cultivá-la. Foi assim que esta árvore estranha chegou às regiões tropicais do que são actualmente o México e a Guatemala.

Há cerca de 3000 anos os Maias continuaram o que os Olmecas tinham iniciado, e transformam-se nos primeiro grandes produtores de cacau. Mas já não é a polpa que os interessa. Descobrem que as sementes podem também ser consumidas. Vão fermentá-las, secá-las, torrá-las e esmagá-las a quente até obter uma espécie de pasta, que é moldada em forma de cilindro até obter uma massa de cacau.

Quando os Espanhóis iniciaram a conquista da América Latina e descobrem o xocoatl, inicialmente, não gostaram muito desta bebida, muita amarga na versão preparada pelo os Maias. Mas os monges Carmelitas, da região de Oaxaca na Costa do Pacífico, tiveram uma ideia: juntaram-lhe açúcar de cana, para atenuar o lado amargo do cacau. O xocoatl transformou-se em chocolate.

Foi assim, em forma de bebida, que o chocolate conquistou a corte de Espanha, e de seguida todos os países da Europa. É consumido da mesma maneira que os Maias, mas com menos sabor a plantas e aromas à mistura, mas sobretudo com açúcar.

Continua uma bebida até meados do século XVIII. Reza a história que foi em 1747 que um Inglês, Joseph Fry, teve a ideia de juntar o açúcar directamente à massa do cacau. Tinha acabado de inventar o chocolate para trincar.