Como o Cacau era utilizado pelos Astecas

No século X, os Astecas, povo do alto planalto semi-desértico do Tecochtitlán (actual México) invadiram as regiões Maias, terras de cultivo e consumo do cacau.

No século X, os Astecas, povo do planalto semi-desértico do Tecochtitlán, actual México, invadiram as regiões Maias, terras de cultivo e consumo do cacau. Os terrenos áridos dos Astecas não estavam adaptados para a cultura do cacaueiro. Quando descobrem o cacau, imediatamente apreciam este produto, que os Maias usavam como alimento e como moeda de troca.

Os povos conquistados, como tributo, deram sementes de cacau aos vencedores, antevendo assim uma utilização do cacau, passando este a ser consumido em regiões onde não podia ser cultivado. Os Astecas assumiram o mesmo hábito dos Maias no uso das sementes de cacau: como moeda de troca e como matéria-prima.

A partir do cacau, começaram a produzir uma bebida complexa, uma mistura líquida condimentada, feita a partir de pasta de cacau ralada, à qual se juntavam outros ingredientes, tais como a farinha de milho, especiarias entre outros temperos e misturas diversas. Na língua nativa dos Astecas, a língua nahuatl, o nome desta bebida era denominada como xocoatl.

A adição de outros ingredientes variava conforme o acto, onde e como se bebia essa mistura:
– Durante as cerimónias religiosas, introduziram-se plantas e cogumelos alucinogénios nas bebidas dos sacerdotes. Ao entrar em transe, entoavam e participavam em danças rituais e divinatórias.
– Ao irromper conflitos entre etnias, os guerreiros tomavam xocoatl, antes de partir para combater, visto ser uma bebida de cacau enriquecida com ingredientes energéticos, que lhe permitia força e o poder para enfrentar os adversários. Os prisioneiros capturados nessas batalhas eram muitas vezes oferecidos em sacrifício aos Deuses que lhes tinham permitido a vitória. Os Astecas chamavam a esses sacrifícios a morte florida. Aos torturados era-lhes dado a beber xocoatl ao qual era adicionado substâncias eufóricas e tóxicas que os ajudava a subir de forma espontânea até ao topo das pirâmides, onde lhes era arrancado o coração.
– Por último, os nobres tinham por hábito consumir o xocoatl com ingredientes estimulantes que lhes permitia honrar as suas numerosas esposas, nascendo assim a reputação afrodisíaca do chocolate.

Bibliografia (link)